Por Detrás de Portas Fechadas

Prometo-te: não fazes ideia do que acontece entre as quatro paredes de cada casa.

As pessoas saem de casa com máscaras cosidas a partir da pouca força que conseguem reunir.

Sorrisos emprestados. Calma ensaiada.

Por detrás de algumas paredes, existe um silêncio tão ensurdecedor que seria capaz de partir vidro.

Por detrás de outras, há discussões que nunca deixam nódoas negras na pele, mas deixam cicatrizes na alma.

mães que choram na cozinha muito depois de todos adormecerem.

Pais que se sentem fracassados, mas continuam a fingir que são feitos de aço.

Crianças que estremecem ao ouvir passos.

Casais que dormem separados por poucos centímetros, mas sentem-se a quilómetros de distância.

Raparigas que pedem a Allah apenas um pouco de apoio emocional.

Rapazes que aprenderam a engolir as próprias emoções, porque nunca houve quem lhes perguntasse como estavam.

Pessoas que imploram a Allah, em sujūd, por uma paz que nunca chegaram a conhecer.

E depois... Saem de casa como se nada dentro delas estivesse a desmoronar-se.

Tu não sabes quem adormeceu a chorar ontem à noite.

Não sabes quem está a lutar para manter uma família unida.

Não sabes quem carrega, em silêncio, culpa, traição, trauma, solidão ou medo.

Não sabes quem aparenta ter uma vida perfeita, enquanto vive uma tempestade por detrás de portas fechadas.

Este mundo ensina as pessoas a esconder as suas feridas. A engolir aquilo que pesa. E a fingir que é leve.

Por isso, nunca assumas que conheces a história de alguém apenas porque viste um pequeno fragmento da sua vida.

Porque a verdade é simples... E é dura.

Os sofrimentos mais profundos não gritam. Sussurram.

E sussurram atrás de portas que mais ninguém consegue ouvir.

Por isso, caminha com delicadeza. Escolhe a bondade como ponto de partida. Porque não fazes ideia daquilo que alguém precisou de sobreviver apenas para conseguir chegar ao fim de mais um dia

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