Talvez a Eyah tenha começado muito antes de eu lhe dar um nome.

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Antes da Eyah

Eu já criava sem saber que estava a construir alguma coisa.

Desde pequena, havia coisas que simplesmente faziam parte de mim. Gostava de papelaria que combinava, de criar, organizar e transformar pequenas ideias em algo bonito. Mais tarde vieram os posters, os designs e as edições. Enquanto estudante, no internato, eram os textos, discursos e as cartas que me pediam para ajudar a escrever.

Na altura, eram apenas “as minhas coisas que gostava de fazer”. Ainda não sabia que, um dia, todas elas encontrariam o mesmo lugar..

E depois, havia o ensino.

Há uma imagem da minha infância que nunca esqueci: a minha Apa na crèche, com o bebé no colo, com o seu pardah, a ensinar-nos Alif, Ba, Ta.

Não sei explicar exatamente o que havia naquele momento. Só sei que ficou comigo.

Anos depois, ensinar tornou-se também parte de mim. E, com ele, nasceu um desejo muito específico: não queria apenas ensinar uma criança a obedecer a Allah. Queria ajudá-la a conhecê-lo o suficiente para querer obedecer-lhe por amor, e não por obrigação.

Para que, um dia, quando a vida se tornasse difícil, ela soubesse pensar: Allah está comigo. Posso sempre recorrer a ele.

Durante muitooo tempo..

Pensei que eram apenas coisas diferentes de que eu gostava. De escrever, ensinar, criar, organizar, editar.

Até perceber que talvez não precisassem de estar separadas.

Allah não coloca os mesmos talentos nas mãos de todos. E comecei a perceber que aquilo que ele coloca nas nossas também pode ter propósito. Um talento pode ensinar, servir, consolar, transformar uma ideia em algo real. Pode beneficiar alguém, servir o deen, e até tornar-se uma forma halal de construir a nossa vida.

Foi desse entendimento que nasceu a Eyah.

E hoje..

A Eyah não cabe numa única caixa.

É escrita e reflexão. Ensino e aprendizagem. São livros, workshops, recursos, design, criatividade — e espaço para tudo aquilo que ainda poderá nascer.

Nem tudo o que criamos precisa de fazer exatamente a mesma coisa. Algumas coisas aproximam alguém do conhecimento, outras confortam um coração, outras ajudam uma criança a descobrir aquilo de que é capaz. Outras dão forma à ideia de alguém.

Mas todas partem da mesma pergunta:

Como posso usar bem aquilo que Allah colocou nas minhas mãos?

E as palavras?

Escrevo porque sempre foi a minha forma de expressar e porque aprendi que nem sempre é a situação que precisa de mudar. Às vezes, são os olhos com que a vemos.

Muitas das minhas reflexões nasceram primeiro de coisas que eu própria precisava de ouvir. De pequenas situações do dia a dia que me ensinaram a procurar Allah no comum, a reconhecer a Sua presença e a encontrar conforto mesmo quando não tinha todas as respostas.

Um dia comecei a partilhá-las. E aquilo que eram pensamentos meus começou, pouco a pouco, a encontrar lugar no coração de outras pessoas também.

E eu?

Continuo a descobrir o que Allah colocou nas minhas mãos.

Professora, escritora, criativa, designer e, provavelmente, alguém que terá sempre mais uma ideia a querer ganhar forma. A Eyah não nasceu porque eu sabia exatamente onde cada uma dessas coisas me levaria. Nasceu quando percebi que talvez não precisasse de escolher apenas uma. E talvez esta seja também uma pequena lembrança para quem chegou até aqui:

Nem todos os talentos que Allah colocou em si precisam de caber na mesma caixa. Mas todos merecem ser usados com intenção.

Bem-vindo(a) à Eyah.

Ainda estamos a criar a nossa história.